segunda-feira, 27 de julho de 2015

Docs Musicais América Latina no 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.




A rica musicalidade latino-americana tem sua vitrine permanente no 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo na seção Docs Musicais América Latina. No total, estão reunidas doze produções. São sete filmes brasileiros sobre nomes marcantes da história da MPB – como Elza Soares, Dominguinhos, Paulo Moura e Carlos Imperial – ao lado de artistas mais recentes (Premê, Gangrena Gasosa e Sabotage). Já a seleção internacional traz cinco produções inéditas no Brasil vindas da Argentina, Colômbia e México. Grupos como Los Peyotes, Pescado Rabioso e o mito Luis Alberto Spinetta, da Argentina, são protagonistas de três dos filmes. Há espaço ainda para os sistemas de som artesanais da costa atlântica colombiana dos anos 1960 e para a musicalidade da região mexicana de Tijuana.

Um dos pais do rock argentino, Luis Alberto Spinetta (1950-2012), conhecido como El Flaco, foi um cantor, guitarrista, poeta e compositor argentino, considerado um dos mais importantes de seu país. A grande complexidade instrumental, lírica e poética de suas obras lhe valeu o reconhecimento na América Latina e em todo o mundo. Foi o líder dos grupos Almendra - considerado como um dos fundadores do rock na Argentina - além de Invisible, Spinetta Jade, Spinetta y los Socios deo Desierto e Pescado Rabioso. Este último teve seu concerto de reencontro, após 28 anos, filmado por Lidia Milani. “Pescado Rabioso – Uma Utopia Incurável” (Argentina, 2012), focaliza o grupo no show Spinetta y las Bandas Eternas, que foi organizado no estádio do Velez Sarsfield em 4/12/2009. A câmera acompanha os ensaios e as situações que ocorrem, brincadeiras, abraços, músicas e conversas profundas com os integrantes do Pescado Rabioso sobre o significado de voltar a tocar juntos, lembrando o que ocorria na Argentina no início dos anos 1970 e com a sensação de que uma mudança estava ocorrendo no mundo.

Já “Blues dos Plomos” (Argentina, 2013), de Paulo Soria e Gabriel Patrono, se detém nas lembranças de diversos roadies de todas as épocas do rock argentino, especialmente no trabalho de Aníbal “La Vieja” Barrios, assistente do mito Luis Alberto Spinetta. O filme conta também a história da “Canción de los Plomos”, que deu voz a esses homens fortes e fundamentais para a montagem de um cenário, lançando luz sobre o universo dos “operários do rock”. O diretor Paulo Soria assina também os filmes de ficção “100% Lucha: El Amo de los Clones” (2009) e “Nunca Más Asistas a Este Tipo de Fiestas” (2010), ambos codirigidos com Pablo Parés.

“Não Tenho Nada” (Argentina, 2013), de Alvaro Cifuentes, traz a energia do rock de garagem do grupo argentino Los Peyotes, surgido no início dos anos 2000. A banda fala fora do palco, e são animalescamente sinceros com seu caráter animal. No palco, ganham vida e são lascivos, guturais, crus. O diretor Cifuentes é realizador do longa-metragem “Noche Sin Fortuna” (2011), exibido nos festivais de Buenos Aires, Havana, Toulouse e no Lakino de Berlim.

Um setor da população da costa atlântica colombiana desenvolveu uma alternativa para desfrutar e ao mesmo tempo divulgar a música de sua preferência. Para isso construíram artesanalmente sistemas de som capazes de desencadear uma enorme festa. Essas máquinas de som do Caribe colombiano receberam o nome de picó. Esta parte pouco explorada da história musical colombiana é narrada em “Picó – A Máquina Musical do Caribe” (Colômbia, 2014), de Roberto de Zubiría e Sergio Zaraza, tendo por condutora de uma família de Barranquilla, proprietária do picó “El Jude”.

A banda San Pedro El Cortez, uma das bandas mais representativas da cidade de Tijuana, está no centro de “Lixo” (México, 2013), de Carlos Matsuo. Na ativa desde 2006, o grupo durante muito tempo viveu no ostracismo. Agora, depois de uma onda de interesse por artistas da região, eles têm a oportunidade de mostrar por que são a aposta da nova música mexicana.

Em “Dominguinhos” (Brasil, 2014), raras e preciosas imagens de arquivo e de encontros musicais marcantes com importantes artistas como Gilberto Gil, Gal Costa, Hermeto Pascoal, Djavan, Nara Leão, Luiz Gonzaga, entre outros, é revelado esse verdadeiro gênio da música brasileira, criador de uma obra profundamente autêntica, universal e contemporânea. O documentário – dirigido por Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar –, valoriza a experiência sensorial e cinematográfica, numa viagem conduzida pelo próprio Dominguinhos.

Carlos Imperial descobriu artistas como Roberto e Erasmo Carlos, Tim Maia, Wilson Simonal e Elis Regina. Compôs clássicos como “Vem Quente que Eu Estou Fervendo” e “Nem Vem que Não Tem”. Cafajeste, mentiroso e mulherengo, criava factoides para promover seus lançamentos e conquistar espaço na mídia. O documentário “Eu Sou Carlos Imperial” (Brasil, 2015), de Renato Terra e Ricardo Calil, mostra sua trajetória, misturando verdades e mentiras, ficção e realidade, depoimentos documentais e encenados, com falas de Roberto e Erasmo Carlos, Tony Tornado, entre outros.

Gangrena Gasosa é uma banda carioca emblemática que mistura metal, hardcore e macumba, com direito a figurinos de entidades e despachos reais arremessados contra o público. No longa-metragem “Gangrena Gasosa – Desagradável” (Brasil, 2013) o diretor Fernando Rick revisita a carreira do grupo, que inclui relatos de atropelamento de trem, espancamentos, maldições, turnê na Europa e todo tipo de desventura.

No documentário “My Name is Now, Elza Soares” (Brasil, 2014), a cantora aparece em closes, contando histórias, cantando ou até brincando de espalhar o batom em torno de seus lábios. Dirigida por Elizabete Martins Campos, a obra privilegia as imagens e os sons, evitando sequências didáticas que expliquem a trajetória de Elza. Músicas por ela interpretadas incluem “Se Acaso Você Chegasse”, “Volta por Cima” e “A Carne”.

Reunindo vestígios filmados e gravados mundo afora ao longo de quatro décadas, em “Paulo Moura – Alma Brasileira” (Brasil, 2012) o diretor Eduardo Escorel propõe um mosaico formado com peças unidas por livre associação para compor um retrato da carreira musical e da personalidade de Paulo Moura (1932-2010). Clarinetista, saxofonista, compositor, arranjador e regente, o músico apresenta 25 canções do seu repertório e narra, em depoimento inédito, sua própria trajetória. Importante montador de filmes de Glauber Rocha, Carlos Diegues e Leon Hirzsman, entre outros, Eduardo Escorel também a direção de “Lição de Amor” (1975), vencedor do prêmio de melhor direção do Festival de Gramado, “Ato de Violência” (1980), vencedor do prêmio de melhor direção do Festival de Brasília, “Vocação do Poder” (2005).

Com 39 anos, o Premê é uma banda da vanguarda paulistana. As apresentações são cada vez menos frequentes. O documentário “Premê – Quase Lindo” (Brasil, 2014), de Alexandre Sorriso e Danilo Moraes, mostra imagens raras – muitas delas inéditas até para seus fãs mais devotos –, shows, ensaios e programas de TV. A obra comprova que o grupo manteve sua identidade musical bem-humorada, atualizada com os assuntos do cotidiano nacional, além de compor verdadeiras crônicas sociais urbanas com qualidade técnica e harmônica indiscutível.

Mauro Mateus dos Santos ficou conhecido no Brasil através de outro nome: Sabotage. Crescendo em meio à pobreza de São Paulo, encontrou no rap, com singularidade musical, espaço para se expressar e tornou-se referência desse estilo musical. Chamado de “Garrincha” da rima, “Che Guevara” do rap e comparado a artistas como Bob Marley e Chico Science, em pouco mais de dois anos de carreira e um único disco lançado, conseguiu deixar uma marca profunda na história e uma legião de fãs e seguidores. Foi assassinado em 2003, com menos de 30 anos de idade. Esta trajetória é recuperada no longa-metragem “Sabotage: O Maestro do Canão” (2015, 107 min), dirigido por Ivan 13P. Participam do filme a família, amigos e parceiros do rapper. Estão presentes nomes como Mano Brown, Rappin’ Hood, Rodrigo Brandão, Thaíde, Andreas Kisser, BNegão, João Gordo e o ator Ailton Graça.


Serviço:

10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

30 de julho a 5 de agosto de 2015

Abertura: 29 de julho de 2015, quarta-feira, às 20h30, no Memorial da América Latina / Tenda Petrobras para o Cinema Latino-Americano

Locais

Memorial da América Latina / Tenda Petrobras para o Cinema Latino-Americano, Biblioteca Latino-Americana e Galeria Marta Traba - Av. Auro Soares de Moura Andrade 664, portões 2 e 5, Barra Funda, tel (11) 2769.8098

Cinesesc - Rua Augusta 2075, Cerqueira César, tel (11) 3087.0500

Cine Olido - Av. São João 473, Centro, tel (11) 3331.8399

Centro Cultural São Paulo / Sala Lima Barreto e Sala Paulo Emílio - Rua Vergueiro 1000, Paraíso, tel (11) 3397.4002

Cinemateca Brasileira / Sala BNDES - Largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Clementino, tel (11) 3512.6111

Cinusp Paulo Emílio - Rua do Anfiteatro 181 (Colmeias, Favo 4), Cidade Universitária, tel (11) 3091.3540

Cinusp Maria Antônia - Rua Maria Antônia 294, Vila Buarque, tel (11) 3123.5200

Reserva Cultural - Av. Paulista 900, Bela Vista, tel (11) 3287.3529

Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca - Rua Frei Caneca 569, Consolação, tel (11) 3472.2365

Centro de Formação e Pesquisa - Sesc - Rua Dr Plínio Barreto 285, Bela Vista, tel (11) 3254.5618

Inscrições para o seminário internacional: R$ 15,00, R$ 7,50 e R$ 3,50

Iniciativa: Ministério da Cultura / Lei Federal de Incentivo à Cultura

Realização: Memorial da América Latina, Secretaria de Estado da Cultura e Associação do Audiovisual

Patrocínio: Petrobras e Sabesp - Companhia de Saneamento Básico de São Paulo

Correalização: Secretaria Municipal de Cultura, Spcine e Sesc São Paulo

Apoio cultural: Prodesp – Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo e Cinusp


Fonte: ATTi Comunicação e Ideias, através de Alessandra Lima.

domingo, 26 de julho de 2015

Homenageados no 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.




Homenagem - Hector Babenco (imagem acima)
Cineasta brasileiro de enorme projeção internacional, Hector Babenco é um dos homenageados este ano pelo o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que organizou uma mostra com seis de seus longas-metragens. O cineasta nasceu na Argentina, de onde saiu aos 18 anos para viajar pelo mundo. Na Itália dos anos 1960 foi figurante e assistente de produção, quando se inicia sua relação com o cinema. O realizador afirma: “Sou um exilado no Brasil e um exilado na Argentina. Não consigo me fazer sentindo parte de nenhuma das duas culturas. E as duas coisas existem em mim de forma poderosa”.

Radicado no Brasil desde 1973, seu maior sucesso de público, com 5,4 milhões de espectadores nas salas comerciais do país, foi “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1997), obra baseada em um caso policial protagonizada por Reginaldo Faria. Seu filme seguinte, “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), com Marília Pêra no elenco, é presença constante em listas de maiores filmes da década de 1980.

Realiza em 1985 a produção internacional “O Beijo da Mulher-Aranha” é baseada em livro do argentino Manuel Puig - pelo filme Babenco foi indicado ao Oscar de melhor diretor e William Hurt recebeu o Oscar de melhor ator e o prêmio de interpretação masculina em Cannes.

Em 1998 lança “Coração Iluminado”, drama autobiográfico selecionado para o Festival de Cannes. Em seguida realiza “Carandiru” (2003), também exibido em Cannes, outro sucesso de bilheteria, de 4,6 milhões espectadores. Completa a seleção de títulos em exibição no festival “O Passado” (2007), uma coprodução Brasil/Argentina estrelada pelo ator mexicano Gael García Bernal.


Homenagem – Lírio Ferreira
O pernambucano Lírio Ferreira é outro homenageado pelo evento. Uma das revelações da geração de cineastas surgida em meados da década de 1990 no Brasil, é responsável pelo filme que colocou Pernambuco no mapa do cinema brasileiro contemporâneo – “Baile Perfumado” (1997), codirigido por Paulo Caldas. A programação do festival inclui todos os seus longas-metragens, além de curtas raros, programas para a TV e outros formatos.

Com elenco formado por Guilherme Weber, Giulia Gam, José Dumont, Selton Mello, Matheus Nachtergaele, “Árido Movie”, de 2005, foi selecionado para o Festival de Veneza, na Mostra Orizzonti daquele ano. Junto com Hilton Lacerda, Lírio Ferreira lança em 2007 “Cartola - Música para os Olhos”, o documentário mais visto no Brasil naquele ano. Em 2008, assina outro longa-metragem de temática musical, “O Homem que Engarrafava Nuvens”, sobre a vida e a obra do compositor Humberto Teixeira, também conhecido como o “Doutor do Baião”. A obra recebeu o prêmio de melhor documentário pela Academia Brasileira de Cinema. Selecionado para a Mostra Panorama do Festival de Berlim deste ano, “Sangue Azul” (2014) é seu mais recente trabalho e conta com Daniel de Oliveira e Caroline Abras à frente do elenco.

Estão incluídos ainda os curtas-metragens “O Crime da Imagem” (1992, seu primeiro em película), “That’s a Lero Lero” (1994), codirigido com Amin Stepple, sobre a passagem do cineasta Orson Welles por Recife, obra premiada nos festivais de Brasília e Gramado, além de dois vídeos de início de carreira, ambos de rara circulação: “Duoelo” e “O Elástico”, feitos em 1992, com codireção de Paulo Caldas. Completam a homenagem “4 Kordel” (2014, feito para o Museu do Cais do Sertão Luiz Gonzaga), o episódio de série de TV “A Espiritualidade e a Sinuca” (2011), protagonizado por José Mojica Marins e Mário Bortolotto, e “Assombrações do Recife Velho” (2001), episódio de curta-metragem coletivo baseado em Gilberto Freyre.

Uma mesa com Lírio Ferreira está agendada para o dia 30/07, quinta-feira, às 20h30 na Biblioteca Latino-Americana do Memorial da América Latina. Dela participam também os cineastas Paulo Caldas, Kiko Goifman e Hilton Lacerda.


Homenagem – Tutu Moraes
Responsável pela bem-sucedida festa Santo Forte, o DJ Tutu Moraes é reconhecido pela mistura de gêneros brasileiros que incorpora em seus sets, incluindo carimbo, frevo, maxixes, gafieras e marchinhas de carnaval. Suas pesquisas musicais estão em filmes como “Chega de Saudade” (Laís Bodanzki, 2007) e “Terra Vermelha” (Marco Becchis, 2008). Já fez temporadas em Nova York, tendo se apresentado no Central Park.

Tutu Moraes recebe o Troféu Fundação Memorial da América Latina na cerimônia de encerramento do festival, no dia 5 de agosto, quarta-feira, às 20h30. A homenagem prestada pelo Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo traz a marca de suas primeiras edições, quando o DJ era residente fixo durante toda a semana do evento.


Serviço:

10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

30 de julho a 5 de agosto de 2015

Abertura: 29 de julho de 2015, quarta-feira, às 20h30, no Memorial da América Latina / Tenda Petrobras para o Cinema Latino-Americano

Locais

Memorial da América Latina / Tenda Petrobras para o Cinema Latino-Americano, Biblioteca Latino-Americana e Galeria Marta Traba - Av. Auro Soares de Moura Andrade 664, portões 2 e 5, Barra Funda, tel (11) 2769.8098

Cinesesc - Rua Augusta 2075, Cerqueira César, tel (11) 3087.0500

Cine Olido - Av. São João 473, Centro, tel (11) 3331.8399

Centro Cultural São Paulo / Sala Lima Barreto e Sala Paulo Emílio - Rua Vergueiro 1000, Paraíso, tel (11) 3397.4002

Cinemateca Brasileira / Sala BNDES - Largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Clementino, tel (11) 3512.6111

Cinusp Paulo Emílio - Rua do Anfiteatro 181 (Colmeias, Favo 4), Cidade Universitária, tel (11) 3091.3540

Cinusp Maria Antônia - Rua Maria Antônia 294, Vila Buarque, tel (11) 3123.5200

Reserva Cultural - Av. Paulista 900, Bela Vista, tel (11) 3287.3529

Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca - Rua Frei Caneca 569, Consolação, tel (11) 3472.2365

Centro de Formação e Pesquisa - Sesc - Rua Dr Plínio Barreto 285, Bela Vista, tel (11) 3254.5618

Inscrições para o seminário internacional: R$ 15,00, R$ 7,50 e R$ 3,50


Fonte: ATTi Comunicação e Ideias, através de Alessandra Lima.

Crítica: PHOENIX‏, através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


No clássico Um Corpo que Cai de Hitchcock, o personagem de James Stuart tenta a todo custo reconstruir uma mulher morta que ele amava, através de outra mulher (Kim Novak). Mal sabe ele que ambas são na realidade a mesma pessoa e que ela foi responsável por ele cair num jogo de gato e rato no decorrer do filme. Considerado até a pouco tempo como o melhor filme de todos os tempos, a trama de Um Corpo que Cai já serviu de inspiração para outros filmes (como Dublê de Corpo), mas sempre com resultados pouco originais e beirando a imitação.

Porém, Christian Petzold (do ótimo Barbara) provou que se pode sim, tirar algo de original no que o mestre do suspense criou e assim nasceu o seu filme Phoenix, baseado no romance "Le Retour des Cendres", de Hubert Monteilhet, mas que, num primeiro momento, lembra o clássico de 1958. A primeira vista parece ser mais um de inúmeros filmes sobre o holocausto, mas Petzold vai por outro caminho, focando mais as consequências de tais atrocidades que afligiram inúmeros judeus naquele tempo. Acompanhamos então uma trama, ambientada no ano de 1945, aonde conhecemos Nelly Lenz (Nina Hoss, ótima), uma sobrevivente dos campos de concentração nazistas que, apesar de ter escapado do sofrimento que passou, sofreu vários ferimentos e seu rosto e ficou totalmente desfigurado. Sem qualquer terror, vê a desunião das moléculas de sua própria existência, até que chega a sua vida, Lene Winter (Nina Kunzendorf), funcionária de uma agência judaica, que toma como missão cuidar e ajudar ela de todas as maneiras que é capaz. Junto com Lene, chega também à possibilidade de Nelly reencontrar seu marido. Mas será que ele vai reconhecê-la?

Nina Hoss interpreta a sofrida Nelly Lenz como se fosse o ultimo papel de sua carreira. O sofrimento dessa linda personagem nos conquista no primeiro ato, que é mais bem compreendido no seu segundo. Nos minutos finais do arco final, pode-se dizer que é um dos mais surpreendentes, e desde já, um dos melhores momentos do cinema deste ano. Já que a cena por si só é muito bem executada, surpreende o cinéfilo que assiste e explica muito de todo o contexto da trama.

Claro que, por melhor que fosse a trama, ela não seria nada sem um grande elenco, que ainda conta com os bons desempenhos de Nina Kunzendorf e Ronald Zehrfeld, ambos inspirados em seus papéis. Como um todo, o filme é modelado com inúmeros momentos inspirados, e que vão melhorando, conforme descobrimos mais sobre os protagonistas. A narrativa é lenta, mas proposital, para conhecermos melhor cada personagem daquele mundo, do qual eles tentam reconstruir o que foi tirado de suas vidas.

O cenário destruído “pós-guerra” nada mais é do que a representação das vidas de cada um que se encontra ali. Todavia, assim como a Fênix na mitologia Grega, a Alemanha renasce das cinzas da sua autodestruição. Como eu já disse acima, o final é belo, ecoante dessas mesmas memórias, um assombroso arrepio ao som de “Speak Low” (composto por Kurt Weill). Provavelmente um dos desfechos mais perfeitos do cinema recente.


Trailer

Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

sábado, 25 de julho de 2015

Crítica: A Nação Que Não Esperou Por Deus, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


Em certa ocasião nas minhas idas e vindas das sessões de cinema, eu havia assistido um documentário que, infelizmente me falha a memória o titulo da obra, em que revelava certos projetos de leis sem fundamento do nosso país, mas que felizmente que não foram adiante. Em um deles (surgidos nos anos 20 ou 30) mostrava a tentativa do governo em retirar os índios de suas terras e fazer com que eles se misturassem com a sociedade. Embora aparente, num primeiro momento, uma forma de criação para um bom convívio entre as raças, na realidade o projeto era inviável, pois no final das contas fazia com que o índio desvencilhasse de suas raízes e isso me veio à tona ao assistir a esse mais novo filme de Lúcia Murat.

Mesmo correndo o risco de ser esquecido pelo grande público, o documentário dirigido por Murat se aprofunda num ponto de nosso país que a maioria desconhece, mas que nunca é tarde para ser descoberto. Filmado no Mato Grosso do Sul, o filme explora a mudança drástica na chegada da energia elétrica na reserva indígena Kadiweu e que, infelizmente junto com ela, veio o estabelecimento de cinco igrejas evangélicas no território. Ao mesmo tempo, surgem inúmeros impasses devido aos conflitos com os pecuaristas que, infelizmente, invadiram parte da reserva.

De uma forma simples, focando inúmeros depoimentos para a câmera, sendo alguns momentos de narração protagonizados pela diretora, o documentário começou como ideia surgida em 1997, quando a cineasta conheceu pela primeira vez os índios Kadiwéus para a criação do filme Brava Gente Brasileira. Fora isso, ela e o diretor Rodrigo Hinrichsen gravaram momentos distintos dos indígenas, três momentos preciosos ao longo de 17 anos, o que colaborou para registrar a saga da tribo durante um período de mudanças, que por vezes parecem irreversíveis, pois o contato com o homem branco somente aumentava.

Um dos momentos chaves dessa intervenção de pessoas de fora, é registrado pelo documentário no momento em que acontece uma reunião entre representantes de tribo com os pecuaristas locais sobre a questão da posse da terra. É nesse momento em que é destrinchado o preconceito e a mentalidade atrasada vinda dos pecuaristas, que se acham entendedores e donos de tudo. Além de por na mesa esse conflito tem a forte influencia do conservadorismo estúpido vindo dos evangélicos, os cineastas puderam também criar uma espécie de painel de ontem e hoje, aonde mostra os índios mantendo suas antigas tradições, mas não escondendo o fato de já usar certos recursos da civilização, como veículos, mídia e até mesmo a forma contemporânea de se vestir da cidade grande.

A nação que não esperou por Deus é um filme que merece ser visto e revisto por todos, pois é uma obra que registra a luta de um povo para manter suas terras e suas tradições, mesmo aparentando estarem à beira de uma extinção iminente.


Trailer

Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

Mostra “Contemporâneos - Brasil” no 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.




Programado para a cerimônia de abertura do 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, o novo longa-metragem de Marcelo Masagão (de “Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos”, 1999) “Ato, Atalho e Vento” faz sua estreia brasileira no evento. Exibido no Festival de Roma, a obra foi selecionada para o IDFA – Festival de Documentários de Amsterdã, dentro da prestigiosa sessão Masters, e é fruto do encontro do livro “O Mal-estar na Civilização”, de Sigmund Freud, com trechos de 143 filmes realizados em diversas épocas e lugares do mundo. Estão incluídas cenas de títulos do mestre pioneiro Georges Méliès a “O Marido da Cabeleireira” (1990), de Patrice Leconte. Uma segunda projeção do filme, aberta ao público, está agendada para o dia 3 de agosto, segunda-feira, às 20h00, no Reserva Cultural, com entrada franca. Ela é seguida de debate com a psicanalista e jornalista Maria Rita Khel, o crítico de cinema e cineasta Jean-Claude Bernardet e o cineasta Marcelo Machado.

No festival acontece a pré-estreia mundial de “Trago Comigo”, o novo trabalho da diretora Tata Amaral (dos premiados “Antonia”, 2007, e “Hoje”, 2011). Carlos Alberto Ricelli vive um diretor de teatro aposentado que percebe não se lembrar totalmente do passado durante sua prisão na época da ditadura civil-militar, nos anos 1970 no Brasil. Ele decide montar uma peça e, com fiapos de memória, vai improvisando o texto com seu jovem elenco até mergulhar na sua própria história e revelar aquilo que de tão doloroso, preferiu esquecer. No elenco estão ainda Emilio Di Biasi, Georgina Castro, Gustavo Brandão e Paula Pretta. Tata Amaral participa do debate Cinema da Vela, com a chilena Dominga Sotomayor (de “Mar”) e mediação de Ricardo Calil, no dia 4/08, terça-feira, às 19h30, no CineSesc.

“Sermão dos Peixes”, novo filme de Cristiano Burlan (de “Mataram Meu Irmão”, 2013, e “Hamlet”, 2014), também faz sua pré-estreia no evento. A obra focaliza uma sociedade singular constituída de botos e homens, em Laguna, Santa Catarina. Ao longo de gerações, pescadores protagonizam, juntamente com a espécie de boto Tursiops Truncatus, a pesca cooperativa onde ambas espécies perseguem a mesma presa: a tainha. Tem mais de 15 filmes em sua filmografia, entre ficções e documentários, com participações em festivais como o de Havana, É Tudo Verdade, Málaga e Toronto.

Outro título brasileiro em première mundial é “Através”, que visita Cuba em 2012, um período de reformas e incertezas. É quando Raul Castro revoga a lei da “carta branca”, que obrigava os cubanos a pedir autorização para viagens ao exterior. E Cintia, a protagonista do filme, também está em transição e deve definir o seu incerto destino na ilha. Atrás de respostas para o seu futuro, ela viaja em busca de suas origens e das raízes do seu povo. O longa é assinado por André Michiles, Fábio Bardella (ambos de “Osvaldão”, 2014) e Diogo Martins.

Documentário em primeira exibição mundial, “Não Estávamos Ali para Fazer Amigos”, de Miguel de Almeida e Luiz R Cabral, focaliza os anos finais da ditadura civil-militar brasileira (1964-85) e a cultura urbana manifestada por um inovador conceito de jornalismo cultural nas páginas do caderno “Ilustrada”. Do último ditador, passando pela movimentação das Diretas-Já, a eleição de Tancredo Neves, sua morte e a posse de José Sarney (e, entre seus primeiros atos, a censura à exibição de “Eu Vos Saúdo, Maria”, de Jean-Luc Godard) – é um período em que brotam de garagens, de bairros perdidos das cidades e de pequenos ateliês grupos de rock, como Titãs e Ira!, artistas renovadores, como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, poetas, como Geraldo Carneiro e Antonio Cícero, artistas visuais, como Tunga, e grupos teatrais, como Asdrúbal Trouxe o Trombone.

“Trago Seu Amor”, longa de Dellani Lima em world première no evento, aborda diferentes conflitos em relações amorosas, especialmente aqueles momentos definitivos em que os laços se fortalecem ou se rompem. No elenco estrão Francis Vogner dos Reis, Geraldo Júnior, Leo Kildare Louback, Marco Fugga, Marylin Geraes e Paulo Santos Lima. O realizador Dellani Lima é também ator, músico e artista visual. Suas obras já integraram mostras e festivais no Brasil e no exterior. Seu último longa-metragem foi “O Tempo Não Existe no Lugar em que Estamos” (2015).

Exibido no Festival de Roterdã e inédito em São Paulo, “A Misteriosa Morte de Pérola” é um suspense sobre uma jovem que deixa seu país, casa e namorado para estudar arte em uma cidade francesa. Ela mora sozinha em um belo, porém sombrio e antigo apartamento, onde os quadros a encaram e as portas parecem ter vida própria. Seu diretor, o cearense Guto Parente, realizou cinco longas-metragens, entre eles “Estrada para Ythaca” (2010) e “Doce Amianto” (2013).

Inédita em São Paulo, a produção capixaba “As Fábulas Negras” marca o encontro antológico de quatro dos nomes mais importantes do terror brasileiro: Rodrigo Aragão (de “A Noite do Chupacabras”, 2011, e “Mar Negro”, 2013), Petter Baiestorf (de “Eles Comem Sua Carne”, 1996, e “Raiva”, 2001), Joel Caetano e José Mojica Marins, o eterno Zé do Caixão. O filme focaliza um grupo de crianças que embarca numa aventura macabra povoada com personagens do imaginário popular do país – lobisomem, bruxa, fantasma, monstro e saci.

Também ligado ao terror e inédito em São Paulo, o paulista “Condado Macabro”, de Marcos DeBrito e André de Campos Mello. Nele, uma casa alugada por cinco jovens transforma-se no palco de uma chacina. Um palhaço suspeito é encontrado todo ensanguentado na cena do crime e precisa provar sua inocência para o investigador da pequena cidade. Sem evidências para prendê-lo, o policial entra no jogo ardiloso do acusado. No elenco estão Francisco Gaspar, Paulo Vespúcio, Leonardo Miggiorin, Bia Gallo e Rafael Raposo.

Documentário de estreia do cineasta Angelo Defanti, “Meia Hora e as Manchetes Que Viram Manchete” aborda aspectos de um tabloide popular carioca. Com depoimentos de Valesca Popozuda e Muniz Sodré, entre outros, o filme é inédito em São Paulo. A obra destaca as manchetes bem-humoradas e abordagens Inusitadas da publicação, na qual tiro vira “pipoco” e facção criminosa é “bonde sinistrão”; bandido escondido “tá malocado”, vivo “toca o terror” e morto “levou ferro”; a polícia, quando invade, “dá sacode”, quando atira, “senta o dedo”.


Serviço:

10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

30 de julho a 5 de agosto de 2015

Abertura: 29 de julho de 2015, quarta-feira, às 20h30, no Memorial da América Latina / Tenda Petrobras para o Cinema Latino-Americano

Locais

Memorial da América Latina / Tenda Petrobras para o Cinema Latino-Americano, Biblioteca Latino-Americana e Galeria Marta Traba - Av. Auro Soares de Moura Andrade 664, portões 2 e 5, Barra Funda, tel (11) 2769.8098

Cinesesc - Rua Augusta 2075, Cerqueira César, tel (11) 3087.0500

Cine Olido - Av. São João 473, Centro, tel (11) 3331.8399

Centro Cultural São Paulo / Sala Lima Barreto e Sala Paulo Emílio - Rua Vergueiro 1000, Paraíso, tel (11) 3397.4002

Cinemateca Brasileira / Sala BNDES - Largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Clementino, tel (11) 3512.6111

Cinusp Paulo Emílio - Rua do Anfiteatro 181 (Colmeias, Favo 4), Cidade Universitária, tel (11) 3091.3540

Cinusp Maria Antônia - Rua Maria Antônia 294, Vila Buarque, tel (11) 3123.5200

Reserva Cultural - Av. Paulista 900, Bela Vista, tel (11) 3287.3529

Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca - Rua Frei Caneca 569, Consolação, tel (11) 3472.2365

Centro de Formação e Pesquisa - Sesc - Rua Dr Plínio Barreto 285, Bela Vista, tel (11) 3254.5618

Inscrições para o seminário internacional: R$ 15,00, R$ 7,50 e R$ 3,50

Iniciativa: Ministério da Cultura / Lei Federal de Incentivo à Cultura

Realização: Memorial da América Latina, Secretaria de Estado da Cultura e Associação do Audiovisual

Patrocínio: Petrobras e Sabesp - Companhia de Saneamento Básico de São Paulo

Correalização: Secretaria Municipal de Cultura, Spcine e Sesc São Paulo

Apoio cultural: Prodesp – Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo e Cinusp


Fonte: ATTi Comunicação e Ideias, através de Alessandra Lima.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

´BOA VENTURA´ ESTREIA NA SALA EDUARDO HIRTZ.




A Cinemateca Paulo Amorim promove, na terça-feira (dia 28), a estreia do curta-metragem BOA VENTURA, de Guilherme Castro. A sessão será na Sala Eduardo Hirtz, às 19h30min, com apresentação e debate do próprio diretor e convidados. Entrada franca.

O filme, realizado com financiamento do Procultura RS – Lei de Incentivo à Cultura, é uma adaptação do romance Porteira Fechada (1944), de Cyro Martins. Depois de ser expulsa do campo, a família Guedes chega na casa dos parentes da cidade. Na narrativa, que atualiza épocas, João Guedes, esposa e filhas se deparam com relações incertas, onde o poder patriarcal dos donos de terras é absoluto, mesmo que velado.

O elenco é formado por nomes conhecidos do teatro e cinema gaúcho, incluindo Fernando Kike Barbosa, Yonara Karam e Patsy Cecato, e também jovens atores como Julia Bach, Ana Paula Schneider, Eduardo Cardoso e Eduarda Baches Koche. O diretor, Guilherme Castro, tem no currículo trabalhos como “Terra Prometida”, “Becos” e “Transversais”.

A equipe técnica conta com a direção de fotografia de Maurício Borges de Medeiros, direção de arte de Adriana Nascimento Borba, direção de produção de Gina O´Donnell, produção de elenco de Daniela Silveira, montagem de Alfredo Barros, desenho e edição de som de Léo Bracht, música original e trilha sonora de Hique Gomez, produção executiva de Graziella Ferst e produção de Aletéia Selonk (Okna).


Fonte: Programação e divulgação da Cinemateca Paulo Amorim, através de Mônica Kanitz.

Mostra “Contemporâneos” no 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.




A Mostra “Contemporâneos” programou obras da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru, sendo os 21 títulos inéditos – no Brasil ou em São Paulo –, com destaque para seis premières mundiais de longas-metragens brasileiros. Já o conjunto internacional exibe títulos com passagens por vitrines prestigiosas, como os festivais de Berlim, Cannes, Veneza, Sundance, Roterdã, Guadalajara, Toulouse, San Sebastián, Cartagena de Índias e Mar Del Plata, entre outros. Merece ainda registro a presença do gênero de terror, representado por duas produções brasileiras e uma argentina.

Diretor argentino revelado por curtas-metragens elogiados no circuito internacional de festivais e pelo longa “Medianeras, Buenos Aires na Era do Amor Virtual” (2011), lançado no Festival de Berlim, Gustavo Taretto apresenta seu novo trabalho, “As Insoladas”, inédito no Brasil o filme mostra seis amigas e companheiras de aula de salsa que compartilham do mesmo sonho: passar duas semanas de férias no Caribe. Porém, a realidade econômica das garotas não lhes permite sair do terraço de um prédio no meio da cidade, onde se encontram toda semana para tomar sol. O diretor Gustavo Taretto tem presença confirmada em São Paulo.

Inédito no Brasil e exibido nos festivais de Berlim, Toulouse e Buenos Aires, “Mar” (uma coprodução Chile/Argentina) é o segundo longa-metragem dirigido pela chilena Dominga Sotomayor, cuja obra de estreia, “De Quinta-feira a Domingo”, foi vencedora do Tiger Award no Festival de Roterdã. Aqui, um casal de férias em uma praia tem sua rotina quebrada com a chegada da mãe do rapaz. Dominga Sotomayor acompanha a projeção do filme em São Paulo e participa do debate Cinema da Vela, com Tata Amaral (de “Trago Comigo”) e mediação de Ricardo Calil, no dia 4/08, terça-feira, às 19h30, no CineSesc.

Filha de Francisco J. Lombardi, talvez o mais famoso cineasta peruano, Joanna Lombardi teve seu “Casadentro” (2013), vencedor do prêmio da crítica no Festival Montreal, recentemente em cartaz nas salas brasileiras. A cineasta vem a São Paulo apresentar seu segundo longa-metragem, “Sozinhos”, estreado no Festival de Roterdã e inédito no Brasil. A obra acompanha um grupo de amigos de 30 e poucos anos que viajam pela floresta peruana para mostrar filmes a céu aberto. Nas suas conversas, na estrada ou enquanto acampam, assuntos sem sentido passam suavemente para questões importantes sobre a vida.

A argentina Natalia Meta é produtora executiva de cineastas como Paula Hernández (“Un Amor”, (2011) e Pablo Giorgelli (“As Acácias”, 2011). Inédito no Brasil, seu primeiro longa como diretora, “Morte em Buenos Aires”, acompanha a investigação de um homicídio ocorrido no círculo mais exclusivo da alta sociedade de Buenos Aires na década de 1980. No centro da trama estão um policial durão e um novato de boa aparência que se torna seu braço direito na procura do assassino. Destaque para o elenco, no qual estão Demian Bichir (indicado ao Oscar por “Uma Vida Melhor”, de Chris Weitz e escalado para o novo filme de Quentin Tarantino), “The Hateful Eight”), Chino Darín (filho do Ricardo Darín) e Mónica Antonópulos, vencedora do prêmio de revelação feminina na premiação Cóndor de Plata, da Associação dos Críticos de Cinema da Argentina. Natalia Meta tem presença confirmada em São Paulo.

Selecionado para os festivais de Sundance e Guadalajara deste ano, “Viva a Música” (uma coprodução Colômbia/México inédita no Brasil) promove um mergulho no cotidiano de uma jovem acomodada que deixa a casa da sua família, levando-se pela música e pela dança das ruas da cidade de Cáli, na Colômbia. Sem se importar com as consequências, ela está disposta a provar tudo de excitante que a cidade tem a oferecer, incluindo drogas e sexo. Natural de Cali, o diretor Carlos Moreno vem a São Paulo acompanhar o festival. Ele dirigiu anteriormente “Perro Come Perro” (2008), que estreou no Festival de Sundance e o consagrou como um dos diretores mais reconhecidos pela crítica de seu país, e “Todos os Seus Mortos” (2011), vencedor do prêmio de fotografia no mesmo festival. Com “Cartel de los Sapos” (2012), Moreno provou ser um diretor que se movimenta entre o cinema autoral e o comercial ao ser selecionado pela Colômbia para a seleção dos prêmios Oscar.

“Natureza Morta”, estreia do argentino Gabriel Grieco, adiciona registros cômicos ao gênero terror. Em uma cidade da Argentina, o país dos churrascos, pessoas ligadas à indústria de gado começam a desaparecer. Uma jornalista dá início à investigação e, em breve, vai descobrir um segredo obscuro. O filme, inédito em São Paulo, se anuncia como o primeiro do gênero “terror vegano” do mundo.

Road movie na fronteira entre a ficção e o documentário, “Pantanal”, do estreante argentino Andrew Sala, acompanha um homem que foge de Buenos Aires para o Pantanal do Mato Grosso. Ele leva uma bolsa cheia de dinheiro e o motivo da viagem é pagar uma dívida que ele tem com o irmão, com quem não fala há anos. O relato se mistura com depoimentos reais de pessoas que dizem tê-lo encontrado pelo caminho. O filme, inédito no Brasil, colheu elogios nos festivais de San Sebastián e Mar Del Plata.

Primeiro filme peruano a conquistar o Tiger Award, a premiação máxima do Festival de Roterdã, “Videofilia (e Outras Síndromes Virais)” mostra uma jovem desajustada que passa as primeiras semanas fora da escola tomando drogas psicodélicas e marcando encontros pela webcam. É assim que conhece um pornógrafo amador um pouco mais velho do que ela, com quem desenvolve um relacionamento sexual estranho. Dirigida pelo estreante Juan Daniel F. Molero, a obra é inédita no Brasil.

Cineasta argentino com quase 40 títulos na filmografia e praticamente desconhecido no Brasil, Raúl Perrone tem na programação seu recente “Ragazzi”, inédito em São Paulo. Exibido nos festivais de Buenos Aires, Roma e Cartagena de Indias, o enredo se passa no último dia de vida do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) do ponto de vista de seu assassino. Um dos principais diretores cult da Argentina, Raúl Perrone pratica cinema que, segunda a crítica, “caracteriza-se por sua coerência decididamente insubornável”.

Lançado no Festival de Cannes, o argentino “O Ardor”, de Pablo Fendrik é protagonizado por Gael García Bernal e Alice Braga. O roteiro acompanha um misterioso homem que emerge da selva para resgatar uma jovem camponesa, depois de mercenários terem assassinado seu pai e a tornado prisioneira. O filme é inédito em São Paulo. Pablo Fendrik participou da Semana da Crítica do Festival de Cannes com seu primeiro longa “O Assaltante” (2007). “La Sangre Brota”, seu segundo filme, teve estreia na mesma sessão de Cannes, em 2008.

Lançado no Festival de Veneza, “A Vida Depois”, do argentino radicado no México David Pablos, mostra a viagem de dois irmãos em busca da mãe desaparecida. Eles atravessam paisagens desérticas, seguindo pistas baseadas em recordações de infância. O filme é inédito em São Paulo e seu diretor já foi vencedor da Mostra de Escolas de Cinema Ciba-Cilect, promovida pelo festival.


Serviço:

10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

30 de julho a 5 de agosto de 2015

Abertura: 29 de julho de 2015, quarta-feira, às 20h30, no Memorial da América Latina / Tenda Petrobras para o Cinema Latino-Americano

Locais

Memorial da América Latina / Tenda Petrobras para o Cinema Latino-Americano, Biblioteca Latino-Americana e Galeria Marta Traba - Av. Auro Soares de Moura Andrade 664, portões 2 e 5, Barra Funda, tel (11) 2769.8098

Cinesesc - Rua Augusta 2075, Cerqueira César, tel (11) 3087.0500

Cine Olido - Av. São João 473, Centro, tel (11) 3331.8399

Centro Cultural São Paulo / Sala Lima Barreto e Sala Paulo Emílio - Rua Vergueiro 1000, Paraíso, tel (11) 3397.4002

Cinemateca Brasileira / Sala BNDES - Largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Clementino, tel (11) 3512.6111

Cinusp Paulo Emílio - Rua do Anfiteatro 181 (Colmeias, Favo 4), Cidade Universitária, tel (11) 3091.3540

Cinusp Maria Antônia - Rua Maria Antônia 294, Vila Buarque, tel (11) 3123.5200

Reserva Cultural - Av. Paulista 900, Bela Vista, tel (11) 3287.3529

Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca - Rua Frei Caneca 569, Consolação, tel (11) 3472.2365

Centro de Formação e Pesquisa - Sesc - Rua Dr Plínio Barreto 285, Bela Vista, tel (11) 3254.5618

Inscrições para o seminário internacional: R$ 15,00, R$ 7,50 e R$ 3,50

Iniciativa: Ministério da Cultura / Lei Federal de Incentivo à Cultura

Realização: Memorial da América Latina, Secretaria de Estado da Cultura e Associação do Audiovisual

Patrocínio: Petrobras e Sabesp - Companhia de Saneamento Básico de São Paulo

Correalização: Secretaria Municipal de Cultura, Spcine e Sesc São Paulo

Apoio cultural: Prodesp – Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo e Cinusp


Fonte: ATTi Comunicação e Ideias, através de Alessandra Lima.