sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Cine Manguinhos exibe A Lira do Delírio e promove bate-papo com diretor.




No dia 9 de fevereiro, às 19h, O Cine Manguinhos, da Biblioteca Parque de Manguinhos (Rio de Janeiro, RJ), exibe o filme A Lira do Delírio. O longa narra a história de uma dançarina que tem seu filho sequestrado e, em sua busca, volta a um carnaval do passado que pode lhe esclarecer suspeitas sobre o caso, quando se envolveu com um homem mau-caráter. Em A Lira do Delírio, o diretor Walter Lima Jr. experimenta a mistura de tempos (realidade e memória) e outras técnicas de instigantes de linguagem. Após a sessão, Walter Lima Jr. convida os presentes para um bate-papo.


Elenco: Tonico Pereira, Anecy Rocha, Paulo Cesar Peréio, Claudio Marzo e Antonio Pedro


Classificação: 12 anos.


Duração: 1h45 min.


Biblioteca Parque de Manguinhos/ Cine Manguinhos: Av. Dom Hélder Câmara, 1.184, Benfica – Rio de Janeiro, RJ.


Fonte: www.approach.com.br, através de Isabella Germano.

‘Velozes e Furiosos 7’ ganha segundo trailer oficial dois meses antes da estreia no Brasil.




PRIMEIRO TRAILER DIVULGADO ALCANÇOU A MARCA DE MAIS DE 140 MILHÕES DE VIEWS EM APENAS 72 HORAS


Em lançamento mundial, a Universal Pictures divulga o segundo trailer oficial de “Velozes e Furiosos 7” (Furious 7), que chega aos cinemas brasileiros em 2 de abril.


Vídeo


Dirigido por James Wan, de “Jogos Mortais” e “Invocação do Mal”, “Velozes e Furiosos 7” é uma das mais esperadas estreias do ano, além de ser o último filme de Paul Walker, que morreu na época das filmagens. Para dar prosseguimento às gravações, paralisadas durante quatro meses, o ator foi substituído por seus irmãos Caleb e Coby Walker nas últimas cenas. O filme tem roteiro assinado por Chris Morgan e Gary Scott Thompson.


A produção, que ainda conta com Vin Diesel, Dwayne Johnson, Jason Statham, Michelle Rodriguez, Kurt Russell, Lucas Black e Jordana Brewster no elenco, teve um dos trailers mais assistidos de 2014 com mais de 140 milhões de views nas primeiras 72 horas. No Brasil - país que tem o maior fã clube da franquia com cerca de 54 milhões de seguidores no Facebook – o trailer foi visto por mais de sete milhões de fãs durante esse mesmo período.


Fonte: Agência Febre, através de Jéssica Quinalha e Ciro Bonilha.

Com a estreia de ‘Cinquenta Tons se Cinza’ se aproximando, Universal Pictures divulga nova cena inédita.




LONGA CONTA COM JAMIE DORNAN E DAKOTA JOHNSON COMO PROTAGONISTAS


Com estreia programada para dia 12 de fevereiro nos cinemas brasileiros, “Cinquenta Tons de Cinza” (Fifty Shades of Grey) teve uma nova cena inédita divulgada 0ntem, 05 de fevereiro. Desta vez, Anastasia e Christian Grey conversam em um quarto de hotel e o empresário comenta que não é adepto a romances.


Vídeo


Distribuído pela Universal Pictures, o longa conta com direção de Sam Taylor-Johnson e retrata o relacionamento entre o bilionário de 27 anos Christian Grey, interpretando por Jamie Dornan, e a estudante Anastasia Steele, papel de Dakota Johnson. O filme é um dos lançamentos mais esperados do ano e é baseado no best-seller que já vendeu mais de 100 milhões de cópias, entre versões impressas e e-books, em todo mundo.


Para mais informações, acesse as páginas oficiais do filme:


Site: www.cinquentatonsdecinzafilme.com.br


Facebook:facebook.com/cinquentatonsdecinzaofilme


Hashtag oficial: #cinquentatonsfilme


Fonte: Agência Febre, através de Jéssica Quinalha e Ciro Bonilha.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Crítica: Grandes Olhos, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


Tim Burton é um cineasta autoral que, não mede esforços para injetar a sua visão pessoal, com relação ao mundo em que vive na criação dos seus filmes. Infelizmente ele trabalha numa indústria, em que as engrenagens são movidas pelo dinheiro e, portanto nem sempre ele possui total liberdade criativa. Alternando em produções milionárias onde não consegue fazer o filme que gostaria (Alice no País das Maravilhas) e filmes menores onde mostra toda a sua genialidade (Ed Wood), Burton talvez seja um dos poucos cineastas autorais americanos, que sabe na pele como deve agradar um pouco de cada lado e assim conseguir carta branca, para fazer o filme que deseja.

Essa briga pelo direito de manter intacta a sua identidade própria no mundo em que vive é vista muito bem nesse pequeno, mas tocante filme intitulado Grandes Olhos. Estamos na virada dos anos 50 para os 60, onde o homem ainda se mantém como o ser dominante de uma sociedade hipócrita e escondida num quadro azul e cor de rosa. As mulheres em si possuem o seu talento escondido, mas pela falta de coragem de saírem do armário, acabam se se tornando submissas pelo lado mesquinho do sexo masculino.

Margaret Keane (Amy Adams) tem talento vindo de sua mente e que desce para os dedos, no momento que começa a pintar belas imagens de crianças com grandes olhos que, nada mais são, do que uma representação da sua forma como enxerga o mundo. Uma mulher a frente do seu tempo, mas que infelizmente ainda acredita que necessita de um homem e com isso, cai nas garras do salafrário Walter (Christoph Waltz) e se casando com ele. Se dizendo um artista, não demora muito para Walter se dizer o verdadeiro autor das obras de Margaret que, por sua vez, não desmenti e acaba se tornando então um mero fantoche.

Embora seja apenas um caso, é talvez um de muitos parecidos que tenham acontecido no decorrer de décadas mais conservadoras. Margaret é uma representação da mulher amarrada por regras criadas pelos homens do seu tempo, numa época em que a revolução feminina ainda era um sonho distante. Embora seja mulher, Margaret é uma representação do próprio Tim Burton, que ama o que faz, mas sempre luta para ter o direito de ir e vir como bem entender em sua carreira e chega um ponto que talvez a água transborde para fora do copo.

Visualmente, o filme é uma reconstituição perfeita de uma época mais dourada, lírica, mas que o cineasta faz questão de não esconder o seu lado hipócrita. Gradualmente esse mundo de utopia criada pela sociedade norte americana, vai dando lugar a uma realidade mais crua, no momento que Margaret começa a comandar as rédeas de sua vida e de sua obra. Claro que Walter não dá o braço a torcer e ambos vão a julgamento pelos direitos autorais.

Amy Adams e Christoph Waltz estão ótimos em seus respectivos papeis. Se a primeira transmite talento e doçura através dos seus olhos, Waltz transforma o seu Walter num vilão caricato, porém divertido, mas que ao mesmo tempo sentimos nojo nos momentos em que ele controla as cordas para fazer de Margaret a sua marionete. Ambos os talentos duelam de igual para igual no ato final, nos brindando com momentos sublimes e hilários.

Se hoje ficamos arrasados por vermos que ainda há países no oriente médio que tratam as suas mulheres como gado, Grandes Olhos vêm para nos dizer que houve sim tempos difíceis para as mulheres que viveram no ocidente. Mulheres com talento em abundância, mas presas por regras impostas pela sociedade e a igreja conservadora. Tim Burton nunca foi tão feminista como agora.


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Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

Crítica: Caminhos da Floresta, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


Ao longo das décadas, os contos de fadas sempre são apresentados de uma forma diferente, para o público que vem surgindo e mudando conforme o tempo vai passando. Se em determinadas passagens de contos de fadas antes eram aceitas, hoje em dia, determinadas fórmulas estão devidamente desgastas e que dificilmente convencem essa geração atual. Caminhos da Floresta veio para fortalecer essa nova vestimenta dos contos, mesmo com os seus percalços visivelmente nítidos.

Dirigido por Rob Marshall (Chicago), acompanhamos inúmeras histórias conhecidas: Cinderela, Rapunzel, João e O Pé de Feijão, Chapeuzinho Vermelho e dentre outras que, acabam se entrelaçando e formando uma única história. Isso somente acontece graças ao casal de padeiros (James Corden e Emily Blunt), que desejam um filho, mas sofrem de uma maldição imposta por uma velha bruxa (Meryl Streep). Para desfazer da maldição, eles precisam encontrar quatro objetos que, se encontram em determinados contos de fadas, mas que por sua vez acontecem dentro de uma mesma floresta.

Embora sejam contos distintos, o roteiro surpreende ao misturá-los e sem soar forçado. Muito embora, em alguns momentos, a trama soa fiel demais com relação as suas origens que, originalmente é baseado numa peça da Broadway e por causa disso, algumas passagens acabam não se adequando a tela do cinema. Bom exemplo disso é a história final de Chapeuzinho Vermelho (estrelado brevemente por Johnny Depp como Lobo mau) que, se por um lado seria verossímil num palco devido aos seus efeitos teatrais, no filme a situação soa tão forçada que, seria mais prudente se a solução apresentada naquele momento não tivesse sido vista, mas sim sugerida.

Em contra partida, o filme ganha o seu público (principalmente o feminino) ao tornar as princesas apresentadas na trama, numa visão que se casa muito bem com as jovens de hoje: Cinderela (Anna Kendrick) fica indecisa em se casar ou não com o Príncipe Encantado (Chris Pine). Já Rapunzel (MacKenzie Mauzy) deseja a todo custo viver livre e sem as amarras de sua mãe super protetora, que é a própria bruxa interpretada por Meryl Streep. São os velhos conhecidos contos, mas atualizados para esse novo mundo menos colorido.

Diferente do que aconteceu em Chicago, infelizmente Rob Marshall não conseguiu aqui construir quase nenhum número musical que desse a vontade de sair da sala do cinema e começar cantarolar. Embora as cenas sejam muito bem feitas, faltou àquela paixão para se criar algo que entrasse nos nossos ouvidos e que se mantivesse soando lá por um bom tempo. Felizmente, Meryl Streep é a única que se sobressai na voz, em momentos que conhecemos melhor a origem de sua personagem e despertando em nós certa simpatia por ela.

Com um final em que os destinos de alguns personagens se tornam curiosamente inusitados, Caminhos da Floresta veio mais para fortalecer essa nova onda de adaptações dos contos de fadas, mesmo com todos os seus erros de percursos na sua narrativa.


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Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

Crítica: A Teoria de Tudo, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


‏ Em 2001, foi lançado o filme Uma Mente Brilhante, que retratava a vida do gênio matemático John Forbes Nash, que embora tenha revolucionado a teoria de jogos, sofria de esquizofrenia. Mesmo com esse problema, Nash seguiu em frente e veria os seus feitos darem frutos ao ganhar o prêmio Nobel em 1994. Claro que, uma história como essa nas mãos do cinema americano, sempre ocorre do roteiro ser mais convidativo (no caso de Nash no cinema, foi descartado a possibilidade dele ter sido gay) para assim ter o seu público.

Isso ocorre exatamente em Teoria de Tudo, em que retrata os primeiros anos em que o gênio Stephen Jawking (Eddie Redmayne) se destacou com as suas incríveis teorias sobre os buracos negros e a origem do universo, mas que infelizmente começou a sofrer de uma doença motora degenerativa quando tinha apenas 21 anos. Claro que somente isso não seria o suficiente para conquistar o público e, portanto o filme não se aprofunda como um todo sobre a carreira de Jawking, mas sim no seu relacionamento com a sua mulher Jane Wide (Felicity Jones) que, mesmo com todos os problemas do seu companheiro, decidiu abraçar o que realmente sentia por ele. Tem-se então o palco formado para conquistar o cinéfilo que assiste, onde vemos o protagonista superar as suas limitações, se tornando um símbolo de superação e ganhando apoio de seu amor.

Ou seja, é um filme que os membros da academia adoram premiar, mas como o tempo é implacável, por vezes acaba se tornando um típico filme lacrimoso da Sessão da Tarde. Porém, A Teoria de Tudo não cai exatamente nesta típica armadilha e isso muito se deve ao elenco, em especial a Eddie Redmayne: dava pouco crédito a esse jovem ator quando o conheci no filme Sete Dias com Marilyn, mas aqui, ele simplesmente desaparece, dando lugar a imagem de Stephen Jawking e mesmo não pronunciando uma palavra sequer quando protagonista se encontra no seu pior momento com relação à doença, enxergamos todo o esforço que ele quer passar para nós através dos seus olhos expressivos.

O desempenho de Redmayne, porém, somente tem êxito por completo graças a presença da atriz Felicity Jones que, ao interpretar a esposa do astrofísico, nos faz como se estivéssemos ao seu lado e sentir todas as dores, frustrações e forças que ela tenta trazer para fora, para então conseguir contornar todos os obstáculos que terá de travar. Claro que o olho mais atento irá perceber certa semelhança de sua personagem com a da esposa de John Nash de Uma Mente Brilhante, que foi interpretada por Jennifer Connelly. Porém Felicity Jones faz a diferença: a cena em que a sua personagem tenta fazer com que Stephen tente se comunicar através das piscadas é extremamente tocante.

Voltando a forma que o filme foi produzido para conquistar uma fatia do público, lamento com relação ao fato de não terem retratado um Stephen Hawking como um ateu ferrenho, pois a sua área não há espaço (segundo ele) para um ditador celestial. Embora eu seja católico, admiro pessoas que batem de peito aberto e se mantém fiéis com relação ao mundo em que vive e mesmo ele não crendo em Deus, não iria deixar de respeitar menos a imagem desse incrível gênio. Mas o filme foi pensado para ser visto pela massa e o Stephen Hawking visto aqui, é um homem que vive da lógica, mas que sabe criar determinadas linhas subliminares, fazendo com que a gente acredite que, ele respeita as crendices das pessoas, principalmente no que sua esposa acredita.

Com um belo documentário no currículo (O Equilibrista), James Marsh criou o filme A Teoria de Tudo para agradar a todos, sejam pessoas céticas ou religiosas. O que faltou talvez para o cineasta fosse coragem, em apresentar ao público em geral, um Stephen Hawking totalmente livre dos laços com relação a crenças religiosas, mas que independente disso, ganharia de qualquer forma o nosso respeito, graças a sua força, determinação e pela proeza de ter criado o seu próprio milagre.


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Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

Crítica: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


Pegamos um exemplo básico: se eu simplesmente escrever a minha crítica sobre esse filme, no máximo ela alcançará umas cem visualizações hoje na minha pagina. Porém, se eu terminar ela e andar nu, na Avenida Ipiranga em Porto Alegre e segurando um cartaz com os dizeres “leem a minha critica seus filhos da p..” com certeza eu terei no mínimo umas noventa mil visualizações hoje.

Começo a minha crítica dessa forma pensando sobre o homem atual, com seu talento para dar e vender, tentando escrever os melhores textos ou interpretando os melhores personagens no palco. Contudo, se surge um garoto que sofre um pequeno acidente com o skate e grita um palavrão devido a isso, ele será muito mais famoso hoje postando esse momento no youtube do que um profissional da área da cultura que deu o sangue ao longo dos anos para nos passar algo minimamente criativo. Vivemos numa época em que o absurdo, voyeurismo, redes sociais e filmes com roteiros mastigados, para serem vistos pela massa cinéfila, dominam o mercado de entretenimento em proporções irreversíveis e Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é o melhor filme do momento que sintetiza esse mundo contemporâneo que vive num verdadeiro cataclismo.

Tendo surpreendido em filmes como 21 Gramas e Babel, Alejandro González Iñárritu não mede esforços para apontar o dedo em todo o lugar que mereça uma analisada e uma crítica ácida. Em seu filme, Thomson (Michael Keaton) já foi um grande astro do cinema no passado, ao interpretar um famoso super-herói de HQ, mas no momento que desiste da cine série, vê sua carreira ir para o espaço. Tentando uma volta por cima na carreira, o protagonista dirige, roteiriza e atua numa peça teatral na Broadway, mas o mundo do entretenimento de hoje, e mais uma estranha voz que manda fazer algo que ele não quer, faz com que a qualquer momento seus planos deem tudo errado.

O refrão “arte imita a vida” se encaixa perfeitamente nessa obra, mais precisamente caindo no colo de Michael Keaton: após ter atuado em dois filmes do Batman na virada dos anos oitenta para os noventa, o ator se viu na participação de filmes que caíram no esquecimento e sendo somente lembrado como o ex-ator do homem morcego. Talvez o que vemos em Birdman é mais do que uma interpretação, mas sim as frustrações que são postas para fora, de um grande ator que se viu mastigado pela indústria, mas que busca uma redenção para a sua carreira e para sua própria vida pessoal.

Sendo assim, a trama já no início nos bombardeia com piadas de humor negro e críticas contra a própria Hollywood que, na visão pessoal do cineasta, vive hoje de franquias de super-heróis e que prendem inúmeros talentos a elas que, por bem ou por mal, tentam conseguir um reconhecimento pelos olhos da massa. Thomson se tornou um indivíduo que se recusa a se vender a esse sistema novamente, mas o mundo de histórias fáceis e redes sócias, com as suas notícias e vídeos instantâneos, lhe fazem ficar num beco sem saída que, lhe poderá arruiná-lo, mas que ao mesmo tempo ele poderia sair beneficiado. Não se vender ao sistema, mas não lutar contra ele seria uma derrota que poderia sair daí uma vitória? É uma realidade estranha, mas real, no qual vivemos nela e que o cineasta nos joga bem na nossa cara!

Esse duelo interior e exterior que o protagonista enfrenta nos proporciona momentos de puro delírio visual, que por vezes nos confunde, mas que rapidamente nos faz entender o que esta acontecendo na nossa frente. Tem-se então, não somente uma crítica verbal contra o sistema, como também visualmente, onde delírios e realidade do protagonista caminham de mãos dadas até chegar ao seu verdadeiro ápice. Atenção para a cena onde Thomson caminha pela rua, discutindo com o seu eu interior (mais precisamente Birdman) e nos proporcionando um dos momentos mais belos e imprevisíveis do cinema deste ano.

Antes mesmo deste momento sublime, Alejandro González dá uma verdadeira aula de plano-sequência que, se por um lado ele não inova, por outro ele faz disso algo bem criativo. A todo o momento a sua câmera está em busca de algo, como se houvesse um desejo de bisbilhotar o que acontece nos bastidores da peça a cada momento e destrinchando o lado frustrado e alienado dos astros e dos que trabalham nesse ramo. Embora perceptível o pulo do tempo em algumas cenas, o cineasta com certeza buscou inspiração de outros diretores que se arriscaram a fazer tamanho feito com os planos-sequências, como no caso de Alfred Hitchcock quando fez o seu Festim Diabólico.

Com a câmera que vai buscar o que acontece por detrás das cortinas de uma peça, acabamos conhecendo personagens coadjuvantes tão frustrados, que pensam somente em si, quanto o próprio protagonista: o ator que surta a cada momento (Edward Norton), a atriz que busca a realização de um sonho de estabilizar profissionalmente na Broadway (Naomi Watts), o agente do protagonista que busca sempre uma forma melhor de sair lucrando (Zach Galifianakis) e a filha deslocada (Ema Stone) do protagonista que, busca uma reconciliação com o pai, mas ao mesmo tempo terá que matar os seus próprios demônios interiores.

Personagens reais que, embora com talentos nas veias, são frustrados com a vida, mas que buscam um lugar nesse mundo concorrido, em que surgem a todo o momento celebridades instantâneas, mas que logo são esquecidas e substituídas por celebridades piores ainda. Uma trama que nos faz pensar e nos perguntar qual é o nosso papel nesse mundo louco, independente de qual profissão você exerça, pois no fundo você deseja um lugar ao sol para voar e sem se preocupar. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é isso e muito mais do que se possa imaginar.


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Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.