quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Crítica: JACKIE, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


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O cinéfilo mais atento irá reparar que o cineasta chileno Pablo Larraín gosta de explorar assuntos políticos em suas obras, porém, ao invés de retratar os fatos verídicos com exatidão, ele prefere lançar um olhar pessoal com relação aos fatos e criar um cinema autoral da sua maneira. No, O Clube e o recente Neruda, são exemplos desse método adotado pelo cineasta chileno. Em Jackie sua primeira produção norte-americana, ele não se intimida ao lançar um olhar crítico e lúcido dos primeiros dias de Jaccqueline Kennedy, após o assassinato do seu marido, o presidente John F. Kennedy.

A trama começa com um repórter indo entrevistar a senhora Kennedy (Natalie Portiman), após os quatro dias da morte do seu marido. Durante a entrevista, as suas memórias tomam conta da tela e revelam um olhar pessoal perante uma realidade na qual ela não gostaria de estar. Ao mesmo tempo, ela começa a se dar conta do verdadeiro circo do qual o universo político cria e que, querendo ou não, fazia parte dele também.

Mesmo sendo o seu primeiro filme americano, percebe-se que Larraín ganhou carta branca dos produtores para fazer o que bem entender com a obra, pois não estamos diante de uma cinebiografia, mas sim de uma obra que retrata quatro dias difíceis de uma mulher que, pela primeira vez, encara a realidade do universo no qual vive. Para sentirmos o que a protagonista passou o cineasta foca ao máximo ela, com a sua câmera, fazendo com que quase haja uma situação de claustrofobia.

Com uma bela reconstituição de época, o filme foca no glamour do universo político, mas ao mesmo tempo, não escondendo o fato de que todos que convivem naquele cenário correm sérios riscos de serem descartáveis. Após o seu marido ser assassinado, Jacqueline percebe que o seu (aparentemente) conto de fadas se evaporou, mas ao mesmo tempo não descartando a possibilidade de fazer parte para sempre, daquela realidade nua e crua. Tal carga emocional somente funciona em cena, devido a grande interpretação da atriz Natalie Portiman, pois, ela surpreende ao interpretar essa figura histórica, cumprindo o seu papel com louvor, até o fim da projeção e não se intimidando na presença do talentoso John Hurt.

Com uma reconstituição de época que se cruza com cenas reais daquele período, Jackie é um pequeno retrato de uma mulher que viu as suas fantasias se estilhaçarem, mas ao mesmo tempo fez com que ela acordar-se para o mundo real e sem máscaras.


Trailer

Fonte: www.youtube.com

Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Editora Arqueiro Recomenda! ‘A CABANA (capa do filme)’, de William Paul Young.




Best-seller mundial, A cabana já vendeu mais de 4 milhões de livros no Brasil.


“Esta história deve ser lida como se fosse uma oração – a melhor forma de oração, cheia de ternura, amor, transparência e surpresas. Se você tiver que escolher apenas um livro de ficção para ler este ano, leia A cabana.” – Mike Morrell


Publicado nos Estados Unidos por uma editora pequena, A cabana se revelou um desses livros raros que, a partir do entusiasmo e da indicação dos leitores, se tornam um fenômeno de público – com quase 20 milhões de exemplares vendidos no mundo – e de imprensa.


Durante uma viagem de fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa velha cabana.

Após quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à cabana onde acontecera a tragédia.

Apesar de desconfiado, ele vai ao local numa tarde de inverno e adentra passo a passo o cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre.

Em um mundo cruel e injusto, A cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar nosso sofrimento?

As respostas que Mack encontra vão surpreender você e podem transformar sua vida de maneira tão profunda quanto transformaram a dele. Você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama.

Esta edição especial inclui um texto inédito do autor, relembrando os 10 anos de sucesso que marcaram a trajetória do livro e contando detalhes da gravação do filme. Além disso, traz um caderno de fotos com cenas da adaptação desta emocionante história para as telas do cinema.


FICHA TÉCNICA

GÊNERO: ROMANCE

TÍTULO ORIGINAL: THE SHACK

TRADUÇÃO: ALVES CALADO

FORMATO: 16 X 23 CM

NÚMERO DE PÁGINAS: 248

PESO: 0.41 KG

ACABAMENTO: BROCHURA

PREÇO: R$ 34.90

E-BOOK PREÇO: R$ 24.99


William Paul Young


William Paul Young é autor do best-seller internacional A cabana, com 18 milhões de exemplares vendidos no mundo, sendo mais de 3 milhões no Brasil. Ele nasceu no Canadá e foi criado pelos pais missionários em uma tribo indígena, nas montanhas da antiga Nova Guiné Holandesa. Sofreu grandes perdas na infância e na adolescência, mas agora goza, juntamente com sua família, do que chama de um “esbanjamento de graça” na região noroeste dos Estados Unidos.


Fonte: www.editoraarqueiro.com.br

Patrocínio:



Observação: A editora Arqueiro juntamente com a editora Sextante, gentilmente nos cedeu (para promoção do mês de fevereiro) 2 exemplares do livro ‘A CABANA (capa do filme)’, de de William Paul Young. Entre em nosso site (www.ahoradocinema.com) click no link das promoções: http://www.ahoradocinema.com/promocoes e fique sabendo como concorrer a este grande prêmio.

Atenciosamente!

Antonio Francisco da Silva Junior,
www.ahoradocinema.com
ahoradocinema1.blogspot.com

CINEMATECA PAULO AMORIM – ESPAÇO BANRISUL DE CINEMA: Programação de 16 A 22 de Fevereiro de 2017.




SEGUNDA-FEIRA NÃO HÁ SESSÕES


SALA PAULO AMORIM

EU, DANIEL BLAKE (I, Daniel Blake - Reino Unido-França-Bélgica, 100min, 2016). Direção de Ken Loach, com Dave Johns, Hayley Squires, Dylan McKiernan. Imovision, 12 anos. Drama.

Sinopse: O diretor Ken Loach, de 80 anos, ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes com mais este drama social, um tema recorrente em sua trajetória. O filme acompanha a saga de um carpinteiro britânico de 59 anos que fica impossibilitado de trabalhar por conta de um problema no coração. Depois de um período afastado, Blake precisa seguir recebendo os benefícios concedidos pelo governo - mas tudo fica mais complicado pelo fato de ele ser um analfabeto digital. Durante seu périplo para vencer as burocracias, ele conhece Katie, a mãe solteira de duas crianças que também não tem condições financeiras para se manter.

Sessões: 15h e 19h

O QUE ESTÁ POR VIR (L´Avenir - França-Alemanha, 100min, 2016). Direção de Mia Hansen-Løve, com Isabelle Huppert e André Marcon. Zeta Filmes, 14 anos. Drama. Sinopse: Nathalie (mais uma papel elogiado da atriz Isabelle Huppert) é professora de filosofia em Paris, tem dois filhos e um marido também docente, com quem é casada há 25 anos. Nathalie gosta de ensinar e gosta da sua vida tranquila e organizada. Mas tudo começa a mudar quando o marido anuncia que vai sair de casa porque se apaixonou por outra mulher.

Sessões: 17h


SALA EDUARDO HIRTZ

NERUDA (Neruda - Chile, Argentina, França, Espanha, 2016, 107min). Direção de Pablo Larraín, com Luis Gnecco, Gael García Bernal, Mercedes Morán. Imovision, 12 anos. Drama.

Sinopse: O longa-metragem aposta na poesia de Neruda e em boas doses de ficção para imaginar como teria sido a vida do poeta antes de partir para o exílio. Neruda era uma das lideranças do Partido Comunista quando passou a ser perseguido pelo governo do Chile, no final dos anos 1940. No filme, o policial incumbido de prender o poeta vai, aos poucos, conhecendo seus escritos – este é o personagem de Gael Garcia Bernal, que também narra à trama. O longa foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.

Sessões: 15h30min

REDEMOINHO (Brasil, 2017, 100min). Direção de José Villamarim, com Irandhir Santos, Julio Andrade, Cássia Kiss, Dira Paes. Vitrine Filmes, 14 anos. Drama. Sinopse: Luzimar e Gildo são amigos de infância que se reencontram depois de muitos anos. Eles cresceram juntos em Cataguases, interior de Minas Gerais, e Luzimar nunca saiu da cidade. Gildo foi morar em São Paulo e acredita que se tornou um homem mais bem sucedido. Neste reencontro, eles mergulham em boas lembranças, mas precisam, também, acertar as contas com o passado. O filme é baseado no livro “O Mundo Inimigo - Inferno Provisório”, de Luiz Rufatto.

Sessões: 17h30min

ASSIM QUE ABRO MEUS OLHOS (À Peine J‘Ouvre Les Yeux - França/Tunísia/Bélgica, 102min, 2016). Direção de Leyla Bouzid, com Baya Medhaffar, Aymen Omran. Supo Mungan, 16 anos. Drama.

Sinopse: No verão de 2010, meses antes da Revolução de Jasmim (movimento que deu início à Primavera Árabe), a jovem tunisiana Farah descobre as alegrias e os dilemas de ter 18 anos. Ela acaba de ser aprovada no curso de Medicina, mas sonha em ser cantora. Junto com os amigos e o namorado, vive noites de festas e vibra com as canções de protesto de sua banda de rock. Apesar das preocupações da mãe, que conhece os tabus do país, Farah não suspeita dos perigos de um regime político que observa a todos.

Sessões: 19h30min


SALA NORBERTO LUBISCO

A ÚLTIMA LIÇÃO (La Dernière Leçon – França, 105min, 2016). Direção de Pascale Pouzadoux, com Sandrine Bonnaire e Marthe Villalonga. Esfera Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: No dia do seu aniversário de 92 anos, Madeleine avisa filhos e netos que cansou de viver e já definiu a data da sua morte. A notícia choca a família e gera uma série de conflitos entre todos. Apenas Diane respeita a decisão da mãe e decide aproveitar seus últimos tempos com ela. O filme é baseado no livro da filósofa Noëlle Châtelet, que descreve os três últimos meses de vida da sua mãe, Mireille Jospin – mãe de Lionel Jospin, que foi primeiro ministro da França.

Sessões: 15h15min

NINGUÉM DESEJA A NOITE (Nadie Quiere la Noche - Espanha-França, 100min, 2015). Direção de Isabel Coixet, com Juliette Binoche, Gabriel Byrne, Rinko Kikuchi. Mares Filmes, 14 anos. Drama.

Sinopse: Esta é a história real da sofisticada Josephine Peary, que em 1908 desembarcou no Pólo Norte para acompanhar o marido, o famoso explorador norte-americano Robert Peary. O que move Josephine é estar ao lado do homem que ama, mas as condições inóspitas do lugar vão transformar a viagem em uma jornada de autoconhecimento. O mesmo acontece com a esquimó Allaka, escolhida para ser a guia de Josephine.

Sessões: 17h15min

O CONTO DO CZAR SALTAN (Сказка о царе Салтане - URSS, 1966, 85min). Direção e roteiro de Aleksandr Ptushko. Mosfilm, 12 anos. Drama.

Sinopse: O filme é uma adaptação do poema de Aleksandr Pushkin, que ficou conhecido na obra do compositor Rimsky-Korsakov. A trama, que inclui animações, gira em torno de uma rainha traída pelas irmãs invejosas e exilada em uma ilha mágica com seu filho. É nesta ilha que o garoto faz amizade com um cisne encantado, que vai devolver mãe e filho à sua família e fazer justiça. O longa integra a Série Cinema Soviético, com títulos do famoso estúdio MosFilm.

Sessões: 19h15min


PREÇOS DOS INGRESSOS:

TERÇAS, QUARTAS e QUINTAS-FEIRAS: R$ 12,00 (R$ 6,00 – ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS).

SEXTAS, SÁBADOS, DOMINGOS, FERIADOS: R$ 14,00 (R$ 7,00 - ESTUDANTES E MAIORES DE 60 ANOS).

CLIENTES DO BANRISUL: 50% DE DESCONTO EM TODAS AS SESSÕES.

ESTUDANTES DEVEM APRESENTAR CARTEIRA DE IDENTIDADE ESTUDANTIL. OUTROS CASOS: CONFORME LEI FEDERAL Nº 12.933/2013.

A MEIA-ENTRADA NÃO É VÁLIDA EM FESTIVAIS, MOSTRAS E PROJETOS QUE TENHAM INGRESSO PROMOCIONAL. OS DESCONTOS NÃO SÃO CUMULATIVOS.


Cinemateca Paulo Amorim

Rua dos Andradas, 736 - Porto Alegre RS

Fones (51) 3226-5787 - (51) 9972-9096


Fonte: Programação e divulgação da Cinemateca Paulo Amorim, através de Mônica Kanitz.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Crítica: O APARTAMENTO, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


O bate e boca em torno de O Apartamento tem um nome e esse nome Asghar Farhadi. O diretor iraniano é perito em criar tramas que conquistam o mais cético cinéfilo e exemplos é o que não faltam em sua filmografia, que vai desde a À Procura de Elly (2009) e A Separação (2011), sendo que esse último saiu premiado no Oscar de filme estrangeiro. E, assim como nos seus filmes anteriores, em O Apartamento acompanhamos um debate moral com várias metáforas com relação à própria sociedade iraniana.

Ernad (Shahab Hosseini) é um professor dedicado, mas que também mantém um grupo de teatro junto com a sua esposa, Rana (Taraneh Alidoosti). O casal trabalha numa montagem de A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, mas se veem obrigados a se mudarem de apartamento, após a ameaça de desmoronar, graças aos avanços hipócritas do progresso. Os primeiros minutos são angustiantes, onde Farhadi cria uma tensão e fazendo a gente temer pela morte dos personagens. Curiosamente, esse ponto da trama acaba ficando meio que de lado, sendo que o cenário em si retorna para o ápice da trama. Fico curioso em imaginar como seria um filme de Farhadi no qual ele explorasse o avanço do progresso e extinguindo determinados patrimônios de grande ou menor porte da história. Com exemplos de filmes recentes como Aquarius, Leviathan e Demon, O Apartamento poderia ter sido mais um filme dessa leva que toca nesse assunto do qual se passa batido pela sociedade.

Voltando a trama principal, a nova casa do casal tinha uma inquilina que, de forma nebulosa, saiu às pressas, deixando várias coisas suas por lá. Num dia como qualquer outro, Rana deixa a porta aberta e é atacada violentamente durante o banho por alguém misterioso. O criminoso foge tão depressa que esquece o carro e alguns outros pertences. Ernad então embarca numa investigação pessoal, para tentar descobrir a identidade do sujeito enquanto Rana se nega a denunciar o caso à polícia.

Talvez um dos ápices da visão autoral e cinematográfica de Asghar Farhadi é a da maneira na qual ele cria situações que nos levam a uma reflexão, que nos deixam destruídos por dentro. O mais surpreendente é que tudo é feito de forma simplista, sem apelar por situações que poderia gerar momentos inverossímeis, mas retratando a cruzada dos protagonistas de uma forma na qual poderia acontecer com a gente, independente da cultura e do costume de cada um. Claro que ficamos nos perguntando o que nós faríamos numa situação parecida, mas ao mesmo tempo, pensamos como agiriam os que se dizem “cidadãos do bem”, que sempre desejam fazer um julgamento com as próprias mãos, sem análise de determinadas situações. O Apartamento traz o melhor do cinema iraniano, que infelizmente, o atual governo norte americano tenta restringir, porém que bom para nós cinéfilos, que até o momento essa restrição não obteve êxitos.


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Crítica: ATÉ O ÚLTIMO HOMEM, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


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Embora tenha tido uma carreira sólida como ator e cineasta durante anos, Mel Gibson experimentou na última década uma carreira em decadência. Após dirigir o seu quarto filme (Apocalypto, 2006), o astro abusou do vicio do álcool, enfrentou uma separação milionária e acabou meio que saindo de cena e atuando somente em alguns pequenos filmes. Contudo, sempre há a possibilidade de uma volta por cima e Até o Último Homem é um bom exemplo desse pensamento.

Dirigido pelo astro, o filme acompanha a cruzada de Desmond T. Doss (Andrew Garfield), que decide se alistar para lutar na Segunda Guerra Mundial. Mas devido a sua religião (e de um trauma na infância), o jovem decide não usar armas durante o conflito e gerando então um verdadeiro atrito entre ele e seus superiores, principalmente com o seu sargento Howell (Vince Vaughn). Porém, quando os soldados são convocados para a Batalha de Okinawa, Doss é médico no campo de batalha e faz uma façanha jamais vista até então.

Infelizmente Gibson erra um pouco em seu primeiro ato da trama, onde ao invés de explorar melhor os motivos que levaram o protagonista a não usar armas, opta pela origem da relação de Doss com a sua esposa Dorothy Schutte (Teresa Palmer) e que acaba soando meio que artificial. Aliás, Hugo Weaving (Matrix), como ex-soldado da primeira guerra e pai do protagonista, tem um bom desempenho, que infelizmente é desperdiçado, pois seu tempo em cena é curtíssimo. Porém, todos esses deslizes a gente esquece no momento em que os soldados americanos pisam em território japonês e é ai que o cineasta faz mágica. Se em Coração Valente ele havia nos impressionado na recriação das guerras campais da Escócia contra a Inglaterra, aqui não é diferente, mas num efeito muito mais devastador: tiros, explosões, mortes, membros decepados, sangue jorrando e transformando o local num verdadeiro inferno. Tudo moldado com uma fotografia suja, montagem ligeira e uma edição de arte realista e primorosa. O segundo ato sem sombra de dúvida é movido por essa parte técnica cinematográfica, mas não se esquecendo do calor humano em meio ao horror visto na tela. Andrew Garfield, mesmo ainda que inexperiente, nos convence como um jovem que se mantém fiel no que acredita e usa de todos os meios para tentar salvar o maior número de vidas possíveis.

Claro que nos momentos finais, o filme descamba um pouco para um patriotismo americano exagerado e fazendo dos japoneses apenas figuras perigosas a serem abatidas. E apesar dos pesares, Até o Último Homem dá um novo fôlego na carreira de Mel Gibson como cineasta, mesmo quando o filme poderia ter ido muito mais longe do que se imaginava.


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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Crítica: A Qualquer Custo, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


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O gênero faroeste já teve sua fase de ouro, estabilidade, decadência, morte e ressurreição ao longo das décadas. Atualmente, uma vez ou outra, surgem títulos promissores e que revitalizam esse gênero, como Os Indomáveis, Appaloosa - Uma Cidade Sem Lei e Os Oito Odiados de Tarantino. Nos últimos quinzes anos, surgiu um subgênero, que é o faroeste contemporâneo, ou mais precisamente faroestes que se passam nos dias atuais, como no caso de Onde Os Fracos Não Tem Vez e A Qualquer Custo é o mais belo exemplar do momento.

Dirigido por David Mackenzie (Essa Noite você é minha) acompanhamos a cruzada de dois irmãos que decidem assaltar o maior número de bancos em algumas cidades do interior do Texas. Tanner Howard (Bem Foster de 360) é um ex-presidiário, mas com um coração de ouro e que não medirá esforços para ajudar o seu irmão Toby Howard (Chris Pine, de Star Trek), que está endividado após uma separação. Juntos acabam chamando atenção do policial veterano Marcus Hamilton (Jeff Bridges) e de seu parceiro Albert (Gil Birmingham) e assim começa a caçada de gato e de rato. Mas diferente do que se pode imaginar, não estamos diante da típica história de mocinho contra bandido, mas sim de apenas pessoas comuns, nas quais fizeram as suas escolhas e que irão enfrentar as suas consequências. Tanto a dupla de ladrões, como também a dupla de policiais, vivem num Texas vendido por grandes corporações de petróleo, pelo sistema movido pelo dinheiro e cada vez mais se tornando uma imagem pálida se for comparado ao que já foi um dia.

Mesmo com o clima pessimista, o filme é carregado de um humor negro afiado, no qual nos arranca algumas risadas, mesmo com o clima de incerteza com relação ao futuro dos personagens. Tanto na cruzada dos bandidos, como também na cruzada dos policiais ao encalço deles, surgem figuras estranhas, mas ao mesmo tempo carismáticas e que roubam a cena mesmo em poucos segundos de presença: o discurso de uma velha garçonete que atende a dupla de policiais é hilário.

Embora o roteiro se encarregue em focar as motivações que levam os dois irmãos a abraçarem o mundo do crime, é na dupla de policiais veteranos que o filme ganha um sabor especial. Jeff Bridges se sobressai ao interpretar esse policial veterano, que está prestes a se aposentar, mas que não sabe fazer nada na vida a não ser isso e também infernizar o seu companheiro, com comentários preconceituosos. Aliás, é preciso reconhecer o esforço e bom desempenho do ator Gil Birmingham que, não é apenas um mero companheiro índio do personagem de Bridges, como também fala certas verdades com relação ao seu povo, ao homem branco e sobre a terra na qual eles pisam e que cada vez se encontra mais perdida nas mãos de um governo que ignora os seus verdadeiros donos.

O ato final reserva alguns momentos de ação, tiroteio, mas nos brindando com momentos imprevisíveis e que nos deixam em aflito. Mas após o cessar fogo, testemunhamos os dois lados da mesma moeda numa situação corriqueira, como se os conflitos do passado fossem o de menos, mas sim tentam compreender o que levaram ambos a terem chegado aquele ponto. Esse ápice acaba se tornando uma espécie de metáfora de um futuro indefinido, não somente com relação aos personagens centrais, como também do mundo em volta deles.

A Qualquer Custo é uma pequena joia cinematográfica e que faz uma dura crítica a uma realidade cada vez mais hipócrita, independente do lugar.


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Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Crítica: Manchester à Beira-Mar, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


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Embora seja um dos gêneros mais conhecidos do cinema, os realizadores de drama sempre tiveram a árdua tarefa de nunca fazer com que a trama caísse na pieguice, pois querendo ou não, o público não perdoa. Porém, quando a trama é bem conduzida e estrelada por um elenco que se empenha ao máximo, esses fatores fazem com que o público fique até o final da sessão, e ‘Manchester à Beira-Mar’ tem tudo isso e mais um pouco, mesmo sendo uma simples história.

A trama se concentra em Chandler (Casey Affleck), um zelador de um condomínio que sofre nas mãos de inquilinos exploradores. Certo dia recebe uma ligação avisando que seu irmão (Kyle Chandler) faleceu, há poucos dias. Além de retornar a cidade aonde cresceu, Chandler terá que enfrentar, não somente a perda do irmão, como também enfrentar o seu dolorido passado e encarar o fato de que seu irmão o deixou com a responsabilidade de cuidar do seu sobrinho Patrick (Lucas Hedges).

Dirigido pelo cineasta Kenneth Lonergan (Conte Comigo), o filme já começa de forma sublime, onde vemos o dia a dia do protagonista como zelador, tendo que aturar o preconceito e a intolerância daqueles que se acham superiores a ele. Contudo, Chandler demonstra ter personalidade distinta perante as outras pessoas, cujo seu gênio forte, por vezes, pode acabar fazendo com que saia da linha. Portanto já no início, Casey Affleck explode na tela, cujo com seu talento consegue construir um personagem cheio de camadas e das quais vamos conhecendo no decorrer do filme.

Quando o protagonista vai para sua cidade natal, após receber a notícia da morte do seu irmão, o filme vem e volta no tempo sem prévio de aviso e fazendo com que prestamos mais atenção para não nos perdemos. As imagens do passado, portanto, seriam vindas da mente do protagonista que, sempre quando dá de encontro com algo que ele não consegue administrar num primeiro momento, acaba tentando fugir para dentro de suas memórias até então esquecidas. Contudo, o próprio passado não trás boas lembranças, mas sim serve para conhecermos o quadro geral dessa família e fazendo a gente compreender melhor as inúmeras pontas soltas que haviam sido apresentadas no principio da trama. Conhecendo então o passado e o presente do protagonista, a trama se concentra na construção paternal entre Chandler e seu sobrinho Patrick que, não enfrenta somente a perda do pai, como também as mudanças do tempo que a vida adolescente trás para ele. Para minha surpresa, o jovem ator Lucas Hedges demonstra ser um verdadeiro achado no filme, pois ele consegue fazer do seu personagem Patrick não um jovem alienado, mas sim apenas inocente perante uma realidade mordaz. A relação entre os dois acaba se tornando a força motriz do filme.

Randi a ex esposa de Chandler, interpretada de forma extraordinária por Michele Willians que, mesmo em pouco tempo em cena, protagoniza um dos momentos mais impactantes do filme quando a sua personagem reencontra Chandler na rua. Após a cena, os personagens se encontram em frangalhos e não sabendo de qual forma seguir em frente. O filme por si só, toca em assuntos espinhosos, que vai desde grandes responsabilidades, erros humanos e tentar, não somente perdoar o próximo, mas também saber perdoar a si próprio devido aos erros do passado.

Com um final que deixa em aberto o futuro de cada um dos seus personagens, Manchester à Beira-Mar é um filme no qual a gente se identifica facilmente, pois ele soa humano, realístico e esperançoso mesmo perante aos obstáculos da vida.


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Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.