sábado, 21 de maio de 2016

Crítica: A ASSASSINA, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


Vencedor do Prêmio de Melhor Diretor em Cannes 2015, A assassina chamou atenção entre os fãs de cinema autoral quando foi anunciado a sua produção. Isso se deve ao fato do cineasta Hou Hsiao Hsien ser reconhecido por filmes como Barão Vermelho, onde então se criou um cinema mais minimalista. Em A assassina, de forma inédita, o cineasta trabalha no gênero de artes marciais. Contudo, não esperem por algo parecido como foi visto em filmes como O Tigre e o Dragão, longe disso. O filme não tem ação como foco principal, mesmo possuindo belíssimas cenas de combate das quais não deve nada ao já citado clássico O Tigre e o Dragão. Porém, é o drama e os conflitos interiores dos personagens, que acabam sobressaindo-se no filme.

No Séc 9, durante a Dinastia Tan, Yinniang (Qi Shu de Carga explosiva) é enviada, aos 10 anos de idade, para as mãos da freira Jiaxin, que a treina para ser uma assassina. Durante uma missão, Yonniang falha: vendo a sua vitima abraçada ao filho pequeno, ela desiste de matá-lo. Por conta dessa fraqueza humana, Jiaxin a envia até Weibo, cidade onde Yinniang nasceu com a incumbência de matar o seu primo, que outrora haviam se apaixonados e impedidos de se amar pelos pais de Yinniang. Agora, ela precisa decidir se cumpre a sua missão, ou se deixa mais uma vez o seu coração comandar as suas ações.

Em vez de um típico filme de ação de artes marciais, o cineasta vai contra a maré e cria um filme belíssimo, com fotografia espetacular de Pin Bing Lee (um dos fotógrafos de Amor a for da pele, de Wong Kar Wai). Direção de arte, figurino e trilha sonora que se tornam o verdadeiro foco principal. Contudo, as suas cenas de ação são ótimas, mas nem dá para comparar com as coreografias malabaristas dos filmes de Zhang Yimou. Há planos longos, fixos e com panorâmicas, uma marca até do cinema de Mizogushi em "O intendente Sancho" e "Ohayo". Planos gerais e muito raramente, fecha-se em closes. É um cinema do qual nos faz analisar tudo que se encontra no quadro. Aplaudido em Cannes no ano passado, o filme é uma curiosa e bela experiência e que vai contra as nossas expectativas.


Trailer

Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

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