segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Crítica: KUBO E AS CORDAS MÁGICAS, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


O estúdio Laika (casa do filme Coraline) nos brinda com tramas corajosas, sombrias e fazendo uso do velho artifício do stop motion, de forma eficaz. É através dessa coragem e nostalgia, que eles nos apresentam uma trama original e inspirada na terra do sol nascente. Dirigido pelo estreante Travis Knight, Kubo e as Cordas Mágicas conta a história do pequeno Kubo, que vive isolado numa montanha, com sua mãe que vive em depressão. Todos os dias ele desce da montanha e vai num pequeno vilarejo, onde através de seu violão com cordas mágicas, ele conta histórias das aventuras do seu falecido pai, fazendo com que papéis criem vida e se transformem em origamis para representar o conto. Porém, o seu avô e tias, sendo eles responsáveis pela morte de seu pai, vão ao seu encalço para lhe roubarem o seu olho e assim tirar a poder escondido dentro dele.

Já nesse primeiro ato a trama nos fisga, pois facilmente nós somos seduzidos pela beleza das cenas, das quais presta uma homenagem a toda cultura do Japão. Ao mesmo tempo é um filme fácil de nos identificarmos, já que é a velha história do jovem herói se descobrindo e procurando saber qual é o seu papel no mundo do qual vive. Tudo isso embalado com o melhor da tecnologia atual, mas se casando muito bem com a velha forma de fazer animação, com o direito de surgir passagens onde as cenas são criadas pelo velho desenho tradicional, a lápis, e fazendo até mesmo a gente se lembrar de filmes de animação japonesa. Curiosamente, é impressionante que, embora seja um filme para todas as idades, existam algumas passagens do filme bem sombrias, onde os olhos se tornam o real foco da trama. Se a Laika já havia explorado um pouco disso em Coraline, aqui é expandido para inúmeras propostas, com relação à vida, morte e o mundo do espiritismo, assuntos raros de serem vistos num filme de animação.

O filme ainda consegue a proeza de brincar com a nossa atenção. Se no início da trama o pequeno protagonista nos diz para piscarmos agora, para não piscarmos depois, é para então prestarmos atenção nas inúmeras pistas, nas quais escondem inúmeras surpresas, principalmente com relação às reais identidades de alguns personagens importantes, que surgem na trama. Quando o quebra-cabeça começa aos poucos ser montado e revelando a real natureza sobre o que realmente acontece em volta do personagem, tudo acaba fazendo sentido, mas ao mesmo tempo pode pegar alguns desprevenidos, principalmente para aqueles que não prestaram atenção ou piscaram.

Com um final melancólico, porém, eficaz, Kubo e as Cordas Mágicas é um exemplo de coragem de um estúdio, que não se preocupa em termos de bilheterias, mas sim de entregar um produto de qualidade e que faça a diferença.


Trailer

Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

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